stop the plague!

Esquindô!

Publicado em existencialismo, momento blogspot por felipecastro87 em 19 Fevereiro, 2009

Naqueles dias quentes e não tão desgraçados de fevereiro é que você recupera um pouco de si. Recuperei o bom hábito de dormir cedo e acordar cedo. Minha nossa, há quanto tempo eu não sabia o que era uma manhã? Meses acordando ao meio-dia, by the crack of noon. Desfrutei, nessas poucas horas, tudo o que ela, a boa e eterna manhã, pode(ria) oferecer: um calor não-filhadaputa, uma corrida pelo bairro, um suco de laranja artificial, um primeiro contato com a vizinha, o Tennis Elbow pra desbaratinar – massacrando Luis Horna por 6/3 6/2 – e, claro, OK Computer no talo. No talo. Let Down já me deixa pronto pra mais um Dia de Cão, mas sem Al Pacino roubando bancos dessa vez. Agora eu é que roubo um pouco da minha própria alegria, armazenada no sótão da alma, pra aproveitar ao máximo o que me aguarda. O Carnaval de folga, na praia. O Carnaval das inquietudes e das memórias – ou falta delas. O Carnaval que não é o Anhembi nem a Marquês de Sapucaí. Mas que vai arrancar de mim o que resta da minha voz. Já danificada graças ao Palmeiras, o álcool e as aulas de inglês.

Em tempo: Let Down não é uma música otimista e eu não posso esquecer de acompanhar a apuração! ESTAÇÃO PRIMEIRA DA MANGUEIRA..

ouvindo Radiohead – Let Down

Sueisfine

Publicado em existencialismo por felipecastro87 em 15 Fevereiro, 2009

Nick Drake gravou apenas 3 discos em sua breve carreira. A voz ora grossa ora fina, mas sempre suave, e seu dedilhado pulsante em afinações violonísticas nada ortodoxas eram suas características mais fortes. Era diferenciado, todos sabiam. Menos seus contemporâneos. Certa vez, em um surto com o o produtor Joe Boyd, argumentou:

- Você disse que eu sou gênio, então por que não sou rico nem famoso?

A obra de Drake era tão incrível que custou muito para que fosse devidamente alardeada. Pink Moon, seu último suspiro, foi gravado em 1972, apenas em violão e voz, com Drake irradiando alma e transpiração, um desabafo claro e agonizante como quem diz: “Isso aqui sou eu, eu e meu violão. No meu estado mais puro, bruto, então por que não compram a porra do meu disco?”

Sua última música, “Black-Eyed Dog“, foi escrita sobre Winston Churchill. A mesma “Black-Eyed Dog” que foi, décadas e décadas mais tarde, relembrada por Heath Ledger em seu vídeo-homenagem à Drake, meses antes do hollywoodiano se matar, assim como seu homenageado fez 34 anos antes.

Heath Ledger protagonizou Im Not There, sobre a vida de um controverso Bob Dylan, mas queria mesmo interpretar Nick Drake (direita) na telona

Heath Ledger protagonizou "I'm Not There", sobre a vida de um controverso Bob Dylan, mas queria mesmo interpretar Nick Drake (direita) na telona

Em comum, a depressão que afetava a todos os três. E só. Até porque não compartilhavam a mesma profissão, muito menos eram contemporâneos entre si. Churchil, estadista dos mais emblemáticos, exemplo clássico de gentleman britânico, diplomata ativo na II Guerra e que viveu na primeira metade do século passado – e ainda empresta seu nome à avenida dos Três Postos em São Bernardo. O outro, cantor, violonista inventivo, compositor de letras profundas, tristes e apaixonantes, que falavam do campo, das colinas e da Inglaterra. Mas Drake viveu dos anos 40 aos 70, matando-se precocemente num dos episódios mais silenciosos da história da música. Já Ledger nasceu 5 anos depois da morte de Nick, na exótica Austrália e fez grande carreira num meio onde desfilam atores e diretores, figurantes e figurinistas, cineastas e entusiastas, gente rica e bonita de todo jeito, todos milionários, pomposos e principalmente alegres e radiantes: A Hollywood como vemos da TV. Mas, os dois últimos têm muito mais em comum do que podemos imaginar.

Relacionar e comparar figuras midiáticas que terminaram da mesma forma trágica é algo curioso que vai, aos poucos, desmistificando um quebra-cabeça antigo do mundo da arte; a não ser por Churchill, que era depressivo mas não terminou arrancando a própria vida (porém influenciou outro estadista que teve a mesma brilhante ideia a fim de abotoar o paletó de madeira: nosso Getulio Vargas), os outros dois supracitados compõem um panteão sagrado e infinito de cantores, músicos, atores, pintores e demais figuras que cometeram o terrível ato que, segundo Tomás de Aquino, representa a “maior afronta a Deus, que dá a vida e o direito de determinar quando ela termina”: estamos falando, é claro, do suicídio.

“Saio da vida para entrar para a história” (VARGAS, Getúlio) e “Eu espero morrer antes de ficar velho” (TOWNSHEND, Pete) são alguns dos lemas, sentenças definitivas e possíveis epitáfios mundo a fora que inspiraram nossos auto-flageladores. No rock’n roll das drogas e exageros, a morte quase que instantânea do trio Jim Morrison, Jimi Hendrix e Janis Joplin também começou a construir o mito do “suicídio artístico”. Nesses casos, houve overdose mas não se configurou suicídio em nenhum deles.

Há ainda o célebre caso de Ian Curtis, ex-vocalista do Joy Division. Curtis desde cedo corroborava o ideal roqueiro-radical de Townshend. Pessoas próximas afirmavam que sempre lhe apeteceu a ideia de morrer jovem. E assim o fez. Sempre foi uma criança problemática e carregou consigo alguns dos distúrbios e insucessos para a vida adulta. Não resistiu muito. Curioso, porém, é observar que, das cinzas de Curtis e de seu grupo, surgiu aquela que seria uma das mais inventivas e alegres bandas do movimento new wave dos anos 80: o New Order. Você certamente já ouviu algum remix de Blue Monday numa balada ou numa Energia 97 da vida ou alguma versão axé de Bizarre Love Triangle por aí e mal deve imaginar que o New Order veio, na verdade, dos restos de uma banda que tinha como líder uma figura controversa e altamente obscura. Que se matou acreditando no mito do herói morto.

Os célebres pintores Vincent van Gogh e Frida Kahlo, o escritor Ernest Hemingway, o nosso ex-presidente bipolar (ou seja, primeiro o Pai dos trabalhadores e depois Pai do Estado Novo, a Ditadura que ainda não era militar) Getúlio Vargas, todos eles tinham alguma coisa em comum. O aspecto genioso, impassível, algo de revolucionário e conturbado em suas mentes. O não-êxito ou o excesso. A vida privada invadida, a figura de superstar que não suportavam. A amargura e a infelicidade pessoal. A depressão, megalomania. Um misto de tudo isso ou só algo disso.

Heath Ledger, aquele ator que fez Batman, I’m Not There e Brokeback Mountain num intervalo de 3 anos, estava ainda desfrutando dos louros de seus aclamados filmes quando foi encontrado morto em seu apartamento em Manhattan, com 28 anos, uma carreira na crista da onda e pílulas para dormir deixadas no criado-mudo. A pneumonia foi diagnosticada na necropsia, mas, a hipótese de suicídio foi levantada e aceita por todos. A morte e a infelicidade do ator norte-americano até hoje ressoam e não encontram respostas à altura; Ledger era bem-sucedido, bem-quisto, boa-praça e todos os outros adjetivos insossos que começam com b e têm hífen que podemos imaginar. Mais do que isso: ele era bom, muito bom no que fazia. Mesmo sendo difícil, intempestivo, genioso. Uns dizem que a recepção hostil a seu personagem gay em Brokeback Mountain foi uma das causas. Hipótese ligeiramente descartada. Ledger estava infeliz e inquieto, por motivos que talvez nunca venhamos a descobrir. E nem é o principal propósito desse pobre e reles artigo.

O intrigante é o cárater estupidamente heróico e grosseiramente romântico que o suicídio toma em determinadas circunstâncias. Mas isso constitui um mito. Forte e antigo, o saudoso mito do suicídio, ou simplesmente da morte que eterniza o ídolo. Afinal, o que Kurt Cobain, morto em 1994, estaria fazendo hoje? Talvez gravando músicas para campanhas contra o câncer de mama ao lado de Billy Joe Armstrong, Barack Obama, Sheryl Crow e Roberta Miranda. Ou melhor, parafraseando algum amigo comunista/anti-comunista que todos nós temos: o que aconteceria se Che Guevara estivesse vivo até hoje e Fidel Castro tivesse sucumbido em alguma guerrilha mal-sucedida na América Latina nos anos 70? Talvez a figura mais estampada em camisas no mundo inteiro em todos os tempos seria a de Fidel e não Che. Hitler preferiu o suicídio a ser pego, aprisionado, torturado e humilhado pelos soviéticos assim que Berlim foi sitiada pelos aliados em 45. Tudo no campo da suposição, nada mais.  Seria uma inversão de valores, de ideias (agora sem acento), uma válvula de escape extremamente radical para se safar de insucessos na vida profissional e/ou possível incapacidade pessoal de lidar com a fama e o (não-)reconhecimento. Vamos abreviar a nossa vida e só conservar o que há de melhor, para as boas gerações terem lembranças boas de nós, ok?

E é assim que funciona. Por bem ou por mal. E adoramos, idolatramos, tudo de peito aberto. “A privação da vida é não um mal”, já dizia Montaigne, quotando algum filósofo pró-suicídio da Grécia Antiga. Ou é?


vídeo-homenagem do Ledger; de um suicida para outro

Respeite a Geografia!

Publicado em existencialismo, momento bloguxo, urbanismo locke, viadagem por felipecastro87 em 1 Dezembro, 2008

Minha alucinação por geografia é coisa antiga. Mas muito antiga e muito besta. Ainda pequeno, eu já me fechava no quarto pra bolar milhares de fórmulas e campeonatos envolvendo os times do meu país fictício, a Flândria,  e ainda inventava as cidades e os mapas da mesma nas últimas páginas dos cadernos da escola.  A paixão doentia foi se desenvolvendo. Lembro das viagens noturnas  de 10, 11 horas com a familia para Santa Catarina, quando vencia o sono à todo custo para ver a paisagem, as cidades, as placas. E um CD veio à consolidar o que viria a ser um hobby. Lembro bem quando meu pai chegou dos Estados Unidos em 97 e trouxe consigo um CD-ROM.

Aí desandou a coisa. Tratava-se de uma espécie de atlas virtual, uma enciclopédia muito louca que enumerava os paises, suas capitais e principais características. A arara era o mascote do Brasil, se bem me lembro. Hahaha, não sei a quantas anda o tal CD, acho que sequer roda nos computadores modernóides por aí. Os mapas-mundis também me conquistavam. Tinha um em casa onde ainda constava a União Soviética. E os atlas em geral. Ah, claro, a Larousse, cuja coleção completei graças à assinatura da Folha em 99 (há uma década!). Quando me vi, tinha oito anos e já sabia até a capital da Ilha da Papua Nova Guiné do Caralho à Quatro.  De certa forma, eu era uma espécie de criança-prodígio (detestável isso) e podia ir ao Raul Gil, vejam vocês. Anos depois, com minha primeira nota vermelha, descubri que estava focando no segmento errado:

- 5,5 em Ciências. De que adiantam as capitais agora hein c%¨%$#?

Como se conhecimento adquirido tivesse limite de Megabytes. Não, não é um HD sem partições, nem Geografia é um de seus discos removíveis. Muito pelo contrário. A paixão pela área criou uma obsessão maluca por tudo à respeito. Mas uma obsessão mais adequada à realidade, digamos. Como quando fui para a Praia Grande pela primeira vez e passei horas no corredor do apartamento do Souza, grande companheiro, para ver e admirar um enorme mapa político do estado de São Paulo. Em vez de descer, ir à praia,  traçar umas mocréias, comer  um algodão doce (?); Feito um velho no museu, era eu diante de um mapa. Qualquer que fosse. Ou mesmo quando “descobri” o Google Maps e varei o dia sem durmir mesmo com uma prova no dia seguinte às 9 da manhã.

Mapa real de São Paulo

Mapa real de São Paulo

Os mapas criam grandes ilusões que são diariamente rechaçadas, esmagadas e reduzidas à pó pelo trânsito caótico nosso de cada dia, pela problemática malha urbana de transporte público. Veja bem: numa circunferência imaginária (tipo Tropico de Câncer, saca? Mas como uma esfera) de sei lá quantos kilometros (não muitos, agora me esqueci), você tem vários bairros “coexistindo”: Rudge Ramos, Taboão, Paulicéia (SBC),  Ipiranga (SP), Nova Gerty, Mauá (SCS), Canhema (Diadema), etc… Mas de que adianta a tal proximidade se a locomoção de carro entre alguns desses lugares é extremamente sofrível? De “coletivo”, pior ainda. É engraçado meu amigo Daniel ter que se submeter a fazer um “U” ao contrário (aquele sinal de intersecção que aprendemos em Matemática na sexta série) ao pegar ônibus-metrô-ônibus para vir de Cidade Ademar, zona sul de SP, para o Rudge Ramos. Se, de carro, Crazy Dani iria por Diadema economizando um bom tempo.

Mas a questão do trânsito não interessa aqui. É melhor tratar de coisas pouco repercutidas no mundo dos geófilos (que?): a questão das fronteiras. Sou inexplicavelmente alucinado por fronteiras municipais, estaduais, que sejam. Mesmo que elas estejam no meio do nada, como nas rodovias-no-meio-da-mata-atlântica. As placas que indicam limite de município “atraem” mais minha atenção do que as de velocidade máxima. É um acontecimento  ímpar  passar por uma delas. Um dia ainda vou conferir de perto o limite municipal entre São Paulo e Itanhaém, mesmo que essa fronteira provavelmente seja tão folclórica quanto o Acre e o Ronaldo, seja totalmente inacessível e resguardada em toda sua extensão por reservas ambientais e tribos cujos homens já usam calções da Adidas.

Lembro-me bem de uma reportagem que marcou minha vida há anos: falava sobre a Tríplice Fronteira ali perto de Foz do Iguaçu. Brasil, Paraguai e Argentina lado a lado. Você dá um passo pra lá. “ARGENTINA ÔE”, depois outro e “PARAGUAY ACÁ”. Então você, estafado, volta À PÉ para o Brasil, que é LOGO ALI. Não é mágico? Seria melhor se não existissem as burocracias de fronteira. Guardinha, mureta, arame farpado, loiras efetuando o visto. p>

Nos meus rumos da vida, nas andanças diárias, me vejo diante de duas fronteiras tríplices, sendo Santo André elemento envolvido nas duas. Na primeira delas, meu simpático trajeto no “elétrico” Ferrazópolis – São Mateus passa pela estação Sonia Maria pouco depois de uma banca de frutas “TRÊS DIVISAS”. Dizem os  jesuítas que ali o trajeto do ônibus resvala em Mauá. E logo depois, uma curva leve à esquerda, deixa a Rua do Oratório pra trás e nos coloca na Adélia Chohfi, rumo à São Mateus,  São Paulo. O que há demais ali? Nada. Nada? Sim. E é exatamente isso que tira do sério.

Ali, meus caros, é um ponto importante. Não há nada que lembre essa  tripla divisa a não ser pela barraca de frutas e por uma guaritinha que a prefeitura de Santo André colocou ali. E é só. Mais nada. Sendo assim o mais interessante dessa convivência entre Santo André-Mauá-São Paulo acaba sendo o caminho sinuoso da famosa Rua do Oratório. Começando lá no Carrefour da Avenida do Estado, ela percorre o arrumadinho Parque das Nações, em Santo André, e seu simpático centrinho e a Igreja do Bonfim, para desembocar numa área maior e que simplesmente anda rente á divisa com São Paulo. Pois você lá está você na Oratório quando, à esquerda, do outro lado do córrego, já é possível ver uns 2 CÉUs (obras da Marta, certeza)

- São Paulo aqui já? KD ONIBUS COLORIDINHOS

Mas não. É só o fim de Santo André, ali no Pq. Novo Oratório, Jd. Ana Maria, pra ainda cair no terminal Sonia Maria, Mauá, antes de, efetivamente, adentrarmos em territórios paulistanos. É realmente uma coisa linda – contextualizem esse “linda”, ok? Um bom trecho da Rua do Oratório explora bem a diversidade limítrofe da região. Dá até pra ver bem a Fazenda da Juta com seus predinhos “belos” – agora é sincero mesmo – andando junto com o córrego e o “último suspiro” de Santo André.

Mas é voltando de São Mateus que passo por outra tríplice fronteira, dessa vez até mais importante (sim, pois se há Mauá no meio, não é necessariamente importante): a Fronteira Real do ABC. Ao chegar na Estação Santo André, pego o simpático 069, vulgo ônibus dos prazeres. Ostenta esse título por vários motivos: além de custar  a bagatela de 1,95,  e ter uma frota quase inteira de ônibus articulados (ou seja, pra você ficar em pé nele, hay que ser muito lento y burro), ele ainda cobre uma série de universidades, dando uma ar mais joVeM à seu montante de passageiros diários. O que isso significa? Que não precisa oferecer assento para ninguém. Haha, maldade, o fato é que aquele ônibus no horário de pico me leva em apenas meia hora para a faculdade, e é lotado de belas moças vestidas em trajes sociais. Mulher em so-ci-al. Precisa dizer mais algo?

No caminho, o único imprevisto é o Trevo da Vila Palmares. A Prefeitura de Santo André, sempre ela, está realizando uma obra ali. Não exatamente uma de suas obras faraônicas como a da av. Lions, mas uma de suas realizações que, invariavelmente, precisam de uma enorme placa para auto-divulgação barata. Uma obra que já se arrasta por alguns meses e causa um pequeno transtorno na entrada para a Rua Afonsina, já em SBC. O que acontece de tão surreal (ou not) é que o Trevo em obras faz o ônibus se deslocar à direita num local que, vejam só, já adentra aos domínios da Ilha de São Caetano do Sul.

Não me achem idiota. Eu REALMENTE acho genial o fato do ônibus, em apenas alguns metros, percorrer as três cidades da grande sopa de letrinhas suburbana, mesmo que a passagem por São Caetano seja meteórica, irrisória. É a MÍSTICA da TRÍPLICE FRONTEIRA. Não há absolutamente NADA no local que lembre essa coexistência (nem tão) pacífica entre A, B e C do ABC. Nem uma plaquinha. Individualmente, cada prefeitura lembra, à seu modo, que a cidade começa naquele ponto. Mas uma iniciativa conjunta, nada. Claro que não deixo transbordar emoção. Fico na minha. Só imaginando se mais algum maluco por geografia sente o mesmo que eu.

E o Google Maps me deixou seqüelado.

ouvindo Cartola – O Mundo é um Moinho

Meow, kitties

Publicado em música, resenha por felipecastro87 em 6 Novembro, 2008

Uma sinfonia exótica de violões. As vozes de fundo conspirando a favor do vento. Uma sensação alucinógena de acampamento, remetendo às colinas galesas de Gwynedd, à base de muito, mas muito ácido. Um Led Zeppelin III com quarenta e cinco vezes mais psicodelia. E sem gritinhos plantinianos. Uma overdose de cordas e sons acústicos que não cansam, pelo contrário, revigoram. Assim é Sung Tongs (Fat Cat Records, 2004), o “acústico-prodígio-de-inéditas” do Animal Collective.

Quando comecei minha empreitada collectiviana rumo ao Planeta Terra Festival – no qual eles se apresentarão no Indie Stage às 19h30 do dia 8 de Novembro – não podia imaginar que tanta coisa boa ainda passava sem esforço pela minha (não tão) rigorosa peneira musical. E perderia-os de vista por pouco, se não fosse pela curiosidade aguçada justamente às vésperas do festival. Ou seria falta de vergonha na cara? Passar batido por qualquer álbum do Animal Collective, em especial o Sung Tongs, álbum dos mais “assimilável” deles, seria um tiro no pé. Como consolo, poderia usar-me do fato de que tal disco contou apenas com 2 dos inúmeros membros do AC: Avey Tare e Panda Bear, e, exatamente por isso, sofreu com algum tipo resistência vinda de dentro da banda nos setlists de shows. Poderia falar também que a marca registrada do grupo em outros álbuns, a habitual e nada cordial batalha de distorções e nuances atípicas que só as guitarras do Animal Collective proporcionam, não se fizeram presente nesse álbum. Aqui elas tiram um descanso, são desplugadas e dão lugar à animadas percussões tribais, rústicos violões e, aí sim, orquestras malucas de vozes, outra marca inconfundível dessa banda que é a mais cosmopolita e miscigenada de todas – são membros de NYC, Washington e até, pasmem, Lisboa. O que certamente confere aos trabalhos do Collective uma enorme e saudável pluridade musical.

Mas não confundam: não se trata de world music ou algo do gênero, mas sim de um elaborado álbum de folk com elementos precisos de avant-garde, indie rock e experimentalismos diversos que fogem de qualquer tipo de rótulo. Sung Tongs, como nota-se logo nos primeiros trechos da faixa inicial, a bela Leaf House (This house is sad/Because he’s not/Tidy), é o quinto e mais exótico e despretensioso suspiro da melhor atração do Planeta Terra Festival.

Download: http://www.mediafire.com/download.php?mypdvtltycv

ouvindo Animal Collective – Kids on Holiday

Not that narrow-minded!

Publicado em comunicado por felipecastro87 em 23 Outubro, 2008

Não observei impassível à crescente migração de blogueiros do Blogspot para o WordPress. Um êxodo maluco! Relutei, esperneei e fiz cara de choro. Mas só até determinado momento. Foi então que acabei me rendendo à esse valioso portal, ao aspecto mais clean em comparação ao “finado” Blogspot e ao símbolo da Volkswagen que o WordPress insiste em usar – e convenhamos, é idêntico, estaile e dá até um aspecto empreendedor-automobilístico ao blog rapaz

Mas veja bem…

ouvindo Chico Buarque – Construção

Só mais um toquinho

Publicado em música por felipecastro87 em 16 Outubro, 2008

- Escuta…
- O Tom tá lá na Gávea né, a gente podia cantar um negócio pra ele
- Vamo fazê uma pra ele?
- Claro
- Vamo fazê “Insensatez” né?
- Aaaah, vamo fazê “Insensatez”…
- Aah..
- Ele vai gostar tanto… olha Tomzinho, essa é diretamente aqui dos estúdios de Milão, para o navio que Deus na Gávea ancorou… “Insensatez”

Diálogo MITO entre dois nomes MITOS da música brasileira, de um álbum ao vivo MITO, antecedendo uma música MITO. Mais respeito com Toquinho e Vinícius, ok
Aah, que saudades de tocar viola.

Gravado em Milão em 1975, é peça obrigatória no acervo de qualquer “manjador” de música nacional

ouvindo, é claro, Vinícius de Morais & Toquinho – Berimbau / Consolação

Crônicas Urbanas part. I

Publicado em lirismo de boteco, viadagem por felipecastro87 em 2 Outubro, 2008

Ela entrou no trólebus. Mezzo espalhafatosa mezzo menininha, logo tratou de arrumar um lugar no fundo do veículo. Desfilou, observou, esplendorosa, qual assento escolher. Pouco se importou com a multidão de sodomizadores que acompanhavam seus passos lentos. Mas dentre tantos olhares sujos, rasos e cheios de libido, o meu, penetrante e aliciador, se destacava em meio à apetidão sexual generalizada daqueles 10, 20 segundos. Foi o tempo que ela levou para cruzar o corredor e se acomodar em um banco próximo a mim.

- Linda! Maravilhosa! Pena que nunca mais a verei – pensei, num momento raro de consciência.

Com o cabelo preso e um shortinho curto, levando a crer que fizera exercícios físicos na escola pela manhã, era impossível não notar aquela escultura. Não desejá-la. Não amá-la de um jeito platônico, envergonhante e, ao mesmo tempo, excitante. Uma aventura que animava meus longos 60, 70 minutos naquela rotineira viagem.

- Pena que nunca mais a verei – observei novamente, porque nunca era demais lembrar desse detalhe.

Tantas pessoas vão e vem. Vem e desaparecem. Tantas são iguais, semelhantes, cópias uma da outra. Mas não aquela ali. Não ela.

Tateou na bolsa algum objeto. Acompanhei sua busca breve. Era uma caixinha, aparentemente contendo comida. China In Box. Isso! Como uma donzela fina, sacou, com graça, dois hashis e devorou sua comida oriental. Em tempo, a palavra “devorar” não se adequa nem um pouco à leveza admirável daquela linda moça. Ela, pois, digeriu seu almoço no ônibus em longos minutos, sem se importar com o cheiro delicioso que impestava o ar, os famintos que a miravam sem complacência e o pouco conforto da viagem cheia de paradas e trancos bruscos.
Quando terminou de comer, juntou tudo na caixa e guardou na bolsa, encontrou um vão na janela por onde procurou se entreter por alguns minutos.

- Muito boa tarde a todos! Meu nome é Édson, estou vendendo essas balas de goma para sustentar minha família e… – bradava o vendedor ambulante, em vozes silabicamente divididas, interrompendo, por um instante, a observação quase paranóica que eu nutria pela garota.

Quando já ia me deixando ser derrotado pelo cansaço e fim de viagem, ela, a luz daquele ônibus já tomado pela tempestade que viria a seguir, me surpreende mais uma vez. Como nenhuma outra menina seria capaz de fazer no meio de um trólebus lotado, ela procura por lenços umedecidos e limpa o rosto como se eu assistisse, in loco, a um comercial de cosméticos na TV.

- Feminina. Isso sim é uma mulher, que feminilidade, que movimentos leves, paixão. A paixão ao primeiro lenço!
- Pena que nunca mais a verá!

Num diálogo que mais pareceu um conflito clássico entre o meu anjo, no lado direito do ombro, e meu demônio, do lado esquerdo, como se vê em filmes e quadrinhos, deixei o ônibus obstinado à segui-la um pouco.

- Não vou perdê-la de vista – pensei. Estava determinado a ver no que ia dar. Não custava nada saber até onde nossos passos seriam os mesmos. Quem sabe ela… bom, nevermind.

Subimos e descemos a mesma escada rolante no Terminal São Mateus. Discreto, não levantei suspeitas. Estava fazendo o meu caminho. E ela ia na frente, quase adivinhando por onde eu iria. Mirava aquela garota como poucas vezes havia mirado alguém, sem o menor apelo sexual. Se seu shortinho curto atiçava a imaginação de uns, a mim nada mais pesava – e apaixonava – do que sua cena comendo, sutil e delicadamente, a comida com os hashis ou limpando o rosto com os lencinhos, na mais perfeita graça feminina. O zelo e o carinho pela pele, aquela exalação de feminilidade, tudo o mais faziam com que sua chamativa bunda viesse em terceiro, quarto plano. Isso eu deixava à cargo da imaginação dos outros. Pobres de espírito. E de amor.
E assim entramos no mesmo ônibus; Term. Pq. D. Pedro I. E descemos no mesmo ponto, pouco depois do primeiro posto da Mateo Bei. Tomei meu rumo em direção ao trabalho. Fui para a esquerda. Ela, para direita. Olhei duas vezes para trás. Mas a multidão na avenida e o prenúncio de um temporal fizeram perdê-la de vista.

- Volte sempre!

Sinal de alguma coisa? Não. Ah, sou extrememente cético em relação à essas coisas de destino. Tudo bobagem. Papo furado. “Qual era o nome dela?” É o que eu mais precisava saber. Agora, só espero vê-la de novo. Em qualquer lugar. Qualquer circunstância. Só vê-la. Já estaria de bom grado. Suficiente pra saciar meu Part Two. O tempo que perco me lançando de uma cidade à outra foi muito bem preenchido por esse furacão fora de época.

- Pena que nunca mais…
- Será mesmo?

ouvindo João Nogueira – Espelho

Simbora!

Publicado em brinks por felipecastro87 em 28 Setembro, 2008
(clique na tirinha para aumentar)

Depois dizem que prova prática não dá medo. [Edit-back-to-the-future: reprovei na primeira haha]

Whoa!

Quebrei o gelo! A partir de agora, essa ferramenta pôrquera será atualizada com mais dignidade, zelada, mantida, cuidada com estima. Esse blog voltará aos tempos de ouro – que não-ainda-quase-nem-nunca-teve. Prometo, como bom político que não sou. Caralho, quanta ladainha barata, mas é isso aííí

Salut!

ouvindo Brian Eno – Dead Finks Don’t Talk

Puta m

Publicado em Uncategorized por felipecastro87 em 21 Agosto, 2008

Na onda do Cersibon, resolvi criar algumas tirinhas também. Eis o resultado:



Se não entenderam, cliquem aqui.

Outra recomendação é o Bronze Brasil. Blog dotado de uma genialidade e sarcasmo finos. É o espírito olímpico. “No bronze a gente é ouro”

Hahaha

Ouvindo The Who – Love Reign O’er Me

Top Top Top

Publicado em música, top 5 por felipecastro87 em 17 Agosto, 2008
Listar elementos em ordem de importância é um vício antigo do homem. Data do início do século XVII quando Alex Mineiro I já listava em seu Pergaminho do Gol quais gols garimpados no futebol de colônia, em meio à alucinante corrida pelo ouro em Minas, eram os mais bonitos e plásticos de sua carreira pré-Charles Miller. O uso de ranking, ou melhor, da palavra rank no inglês, está associado à hierarquia, seja no âmbito militar, eclesiástico ou diplomático. Com o tempo, essa noção de lista ou linhagem hierárquica foi enfraquecendo e englobando temas cada vez menos nobres, como as 50 celebridades de Hollywood que mais dobram a língua pra falar Thank you, pelo E! Entertainment Television. Hoje a maioria dessas listas que são publicadas mundo afora pecam ao não atingir nível aceitável de abrangência e/ou abusar de critérios duvidosos em qualquer que seja a área explorada; desde educação pública até cinema iraniano. Para driblar a sotisficação e rigidez das tradicionais e pretensiosas listas dos 100, 50 mais, vieram então os Top 10, Top 5. Simples, práticos, pessoais. Tão pessoais que qualquer blogueiro desprovido de conhecimento pode publicá-los sem medo de ser feliz.

Voilá


Top 5 filmes
Dog Day Afternoon (1975) dir. Sidney Lumet [foto]
I’m Not There (2007) dir. Todd Haynes
A Clockwork Orange (1971) dir. Stanley Kubrick
Le Couperet (2005) dir. Costa-Gavras
Reservoir Dogs (1992) dir. Quentin Tarantino

Top 5 álbuns

Grace (1994) Jeff Buckley
Marquee Moon (1975) Television [foto]
Fear of Music (1978) Talking Heads
Rated R (2000) Queens of the Stone Age
It’s Not How Far You Fall, It’s The Way You Land (2007) Soulsavers

Top 5 radiohead songs
A Wolf at the Door
Dollars & Cents
Like Spinning Plates, ao vivo!
The Bends
Idioteque

Top 5 amores platônicos
Catherine Zeta-Jones
Audrey Tautou [foto]
Jennifer Connelly
Luisa Micheletti
Elisângela da Italínea (agradecimentos ao canal TV + ABC)

Top 5 pokemons

NOT

Agora fica a cargo docês fazerem os Tops, bjs!

ouvindo The Rolling Stones – Happy

What a Shame!

Publicado em Uncategorized por felipecastro87 em 2 Agosto, 2008

Quando você é jovem, enérgico, tem um celular legal com câmera (In Memoriam) e muitas idéias idiotas na cabeça, você faz coisas como isso aqui:

“Alô você”

10 de Julho de 2007
ouvindo The Beatles – Blue Jay Way

Domingo

Publicado em Uncategorized por felipecastro87 em 31 Julho, 2008

Lúgubre, enternecedora, amarga e desgostosa
Ó soturna tarde-noite de domingo
O pai de família trabalhador austero
Vê o futebol pela TV, despede-se dos familiares que almoçaram consigo e, angustiado, lamenta:
-Lá se vem mais uma semana chata aí ó

Se toda melancolia do mundo pudesse se cristalizar em um único dia
Esse dia seria o domingo
Mas não todo o domingo
Geralmente alegre, risonho, ensolarado e acolhedor
Mas sim a noite do domingo

Os carros, lentos, caminham em marcha fúnebre
Num comboio tristonho que os leva pra casa
O menino outrora feliz e enérgico se contagia com tanto descontentamento
-Mãnhê, por que todo mundo na rua tá com a cara tão fechada?
Meu filho, não há coisa mais melancólica que uma noite de domingo

ouvindo Radiohead – How to Disappear Completely

Do’s And Dont’s With Babies

Publicado em Uncategorized por felipecastro87 em 30 Julho, 2008





Mais aqui nesse site: http://www.c00lstuff.com/1133/Do_s_and_don_ts_with_babies/

Hahaha, have fun

ouvindo Kyuss – Supa Scoopa and Mighty Scoop

…And Information For All!

Publicado em youtube por felipecastro87 em 28 Julho, 2008

Esse blog não está fadado a ser, eternamente, um antro de bobagens, lorotas e factóides a meu respeito, informações pessoais que nobody gives a shit for e cuja quantidade dos que se importam ultrapassa a casa dos 3 dígitos. Aqui também é um espaço democrático, informativo e, cof cof, jornalísticmwhahaueaue

Therefore, aí vai um vídeo de terno para curtirem

Hu’s On First eterno

and it’s not because you’re black neither

ouvindo Jeff Buckley – Dream Brother

I Just Don’t Know What To Do With Myself

Publicado em Uncategorized por felipecastro87 em 25 Julho, 2008
Depois do baque que é ler/tragar o texto enorme abaixo, mal sei o que colocar aqui. Minha cota de inspiração acabou. A fonte secou.

Moral irrefutável da história da carochinha: preciso ler mais livros que não sejam 1808, Páginas Ampliadas e esses ramdons recomendados por aí pelos professores de faculdade

ouvindo Portishead – Roads